quarta-feira, 11 de julho de 2018

Resenha - Cultura: um conceito antropológico. Roque de Barros Laraia


"(...) a cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo. Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas."  
"A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade. Por isto, discriminamos o comportamento desviante."


A obra “Cultura: um conceito antropológico”, de Roque de Barros Laraia, pretende apresentar ao leitor o conceito antropológico de cultura de forma didática, clara e simples. O livro é dividido em duas partes: a primeira “Da natureza da cultura ou da natureza à cultura”, é composta por seis capítulos, e a segunda “Como opera a cultura”, é composta por cinco capítulos.
            Na primeira parte, o autor apresenta o conceito cultura a partir das manifestações iluministas caminhando até os autores modernos. Na segunda parte, o autor procura demonstrar como a cultura influencia o comportamento social e diversifica, enormemente, a humanidade, apesar de sua comprovada unidade biológica.
            No primeiro capítulo, “O determinismo biológico”, Laraia contrapõe teorias que atribuem capacidades específicas inatas a “raças” ou a outros grupos humanos. A capacidade de aprender e a sua plasticidade são fatores inerentes aos seres humanos e tiveram papel preponderante na sua evolução. O comportamento de um indivíduo é fruto de um aprendizado, de um processo chamado endoculturação, ou seja, o indivíduo não age diferentemente em função de suas capacidades inatas, mas em decorrência da educação que recebe.
            O segundo capítulo, “O determinismo geográfico”, apresenta os conceitos de Boas Wissler e Kroeber, que refutam as teorias desenvolvidas por geógrafos no final do século XIX e início do século XX, que defendiam a ideia de que as diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural. Os autores supracitados, no entanto, defendem que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais, e que as diferenças entre os homens não podem ser explicadas em termos das restrições que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente. A grande qualidade da espécie humana foi a de romper com as suas próprias limitações.
            O capítulo três, “Antecedentes históricos do conceito de cultura” analisa a origem da palavra “cultura”. A partir dos termos germânico “Kultur” e do francês “civilization”. Edward Tylor sintetizou o termo inglês “culture”, que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.
Laraia apresenta ainda, as definições de John Locke, Marvin Harris e Jean – Jacques Rousseau percorrendo até Tylor e Kroeber, que definem cultura como sendo todo o comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética, e afirmam, assim, que o homem é o único ser possuidor de cultura. O capítulo traz a ideia de aprendizado da cultura em oposição a ideia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos.

domingo, 29 de abril de 2018

"Num mundo como o nosso, em que progridem a ciência e suas aplicações tecnológicas cada dia mais, não se pode admitir que o homem se satisfaça durante toda a vida com o que aprendeu durante uns poucos anos, numa época em que estava profundamente imaturo. Deve informar-se, documentar-se, aperfeiçoar a sua destreza, de maneira a se tornar mestre da sua práxis. O domínio de uma profissão não exclui o seu aperfeiçoamento. Ao contrário, será mestre quem continuar aprendendo" (Pierre Furter)  

terça-feira, 10 de abril de 2018

Uma Linguística Aplicada Transgressiva

Esta publicação tem o objetivo de apresentar algumas ideias contidas no capítulo dois intitulado "Uma Linguística Aplicada Transgressiva" de Pennycook do livro Por uma Linguística Aplicada Indisciplinar organizado por Luiz Paulo da Moita Lopes. 

Neste capítulo o autor articula os princípios para embasar uma Linguística Aplicada transgressiva ou antidisciplinar, que se caracteriza por ser híbrida e dinâmica. O autor argumenta que a teoria transgressiva quer ir além das teorias chamadas de "pós" e que devemos passar a pensar em teorias "trans", que possibilitem um conjunto mais variado de teorias do que aqueles representados pelas teorias "pós". Para Pennycook a LA transgressiva envolve a necessidade de pensar diferente, de politizar e problematizar o próprio conhecimento que produz. 

Os slides apresentados são resultado de um trabalho da Pós-graduação do curso Lingua(gem), Cultura e Ensino da Universidade Estadual de Goiás - Campus Inhumas. 




terça-feira, 11 de abril de 2017

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Nos dias 7 e 8 de Abril de 2017, no Auditório da OAB-GO, aconteceu o 2° Encontro Goiano de Autismo. O encontro teve por objetivo disseminar informações seguras e importantes sobre um dos transtornos do neurodesenvolvimento que mais tem aumentado a prevalência no mundo todo. O evento contou com a presença de palestrantes goianos e de outros estados e discussões acerca de pesquisas que estão sendo encampadas por especialistas brasileiros que buscam entender o mecanismo biológico do autismo. 

O encontro teve como público alvo pais e familiares de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de profissionais e estudantes das áreas de Saúde e Educação. Durante o evento foram discutidos temas bastante relevantes tais como, diagnóstico precoce, autismo na vida adulta, psicomotricidade, inclusão, legislação e políticas públicas, adaptação curricular, pesquisas recentes em genética e Análise do Comportamento Aplicada. Foi uma excelente oportunidade de aprender, debater e compartilhar experiências.

Dados relevantes
A prevalência de casos de autismo tem aumentado de forma rápida nos últimos anos, o que acendeu sinal de alerta da Organização Mundia de Saúde (OMS) e da Associação Americana de Psiquiatria. A última pesquisa do CDC (Center of Diseases Control and Prevention) - Órgão norte-americano próximo do que representa, no Brasil, o Ministério da Saúde - mostrou que, nos Estados Unidos, a cada 45 crianças, uma está no espectro do autismo. Os dados foram divulgados em 2015. As estimativas já apontam para 70 milhões de pessoas com autismo no mundo. A título de comparação, a estimativa no Brasil dos casos de Síndrome de Down, embora não oficial, aponta a proporção de 1 para 700. Seriam cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down e 2 milhões de autistas no país. O autismo tornou-se uma pauta urgente de saúde pública. As unidades do SUS não conseguem absorver a demanda de pacientes e, tratamentos particulares custam muito caro, uma vez que precisa ser intensivo e pode durar toda a vida. Além disso, não há profissionais suficientes para atender essa parcela da população. 

Popularmente conhecido como autismo, o Trastorno do Espectro Autista engloba diferentes síndromes marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico, com três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente. São elas: déficits na comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldades de socialização e também padrão de comportamento restritivo e repetitivo. Também chamado de Desordens do Espectro Autista (DEA), recebe o nome de espectro porque envolve situações e apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai de mais leve a mais grave. O TEA é classificado em três graus: leve, moderado e severo. Todas, porém, em maior ou menor grau estão relacionadas com as dificuldades de comunicação e relacionamento social. 

https://www.facebook.com/EncontroGoianoAutismo/?fref=ts

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

15th Braz-Tesol International Conference

Entre os dias 14 e 17 de Julho de 2016 aconteceu em Brasília a 15º edição do Braz-Tesol International Conference
O tema da conferência foi "A voz dos alunos: criando uma cultura participativa" ("The Learners' voice: creating a participatory culture"). A discussão sobre o tema nos permitiu refletir sobre a importância de olhar para a área do ensino de língua inglesa na perspectiva de um campo que amadureceu ao longo dos anos e consolidou práticas pedagógicas e profissionais, além de nos fazer entender que é de extrema necessidade que o profissional sintonize-se com os últimos desenvolvimentos na educação e esteja ciente das exigências que o século XXI impõe tanto aos alunos quanto aos profissionais dessa área.
A conferência nos proporcionou quatro dias de intenso intercâmbio de aprendizagem e ricas trocas de ideias, além de aquisição de novas habilidades através de trocas com os principais especialistas e professores da área. 
Na oportunidade tive o privilégio de reencontrar, conhecer e conversar com incríveis nomes da área do ensino de língua inglesa. 

Robert Campbell é professor, editor e autor. Ele escreveu vários livros, incluindo Owl Hall (Macmillan), que foi finalista no 2013 ELTon Awards por inovação em recursos de aprendizado, e ganhou Prêmios de Literatura de Aprendizagem da Extensive Reading Foundation. Ele criou sites para vários editores ELT e produziu áudio e vídeo para muitos cursos. Em seu tempo livre ele escreve e executa canções.

Jeremy Harmer é escritor de livros na área do ensino de língua inglesa, incluindo títulos de metodologia, materiais de curso e literatura, e treina professores em todo o mundo. Além do mais, ele é músico e intérprete. Ele é licenciado em Literatura Inglesa pela University of East Anglia no Reino Unido e Mestre em Linguística Aplicada pela University of Reading também no Reino Unido.


EDUCAÇÃO BILÍNGÜE: ESTUDO METODOLÓGICO DA LÍNGUA INGLESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Segue abaixo o artigo de minha autoria publicado na revista científica FacMais  - V Edição, de número 01, ano 2016/1º Semestre. 
O artigo em questão traz uma breve descrição do desenvolvimento infantil na perspectiva do bilinguismo. 
O artigo pode ser acessado através do link http://revistacientifica.facmais.com.br/?p=342

EDUCAÇÃO BILÍNGÜE: ESTUDO METODOLÓGICO DA LÍNGUA INGLESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Dayane Rita da Silveira
RESUMO
Em consequência da valorização da criança ao longo das décadas enquanto cidadã de direitos, o desenvolvimento infantil tem conseguido lugares significativos entre os estudiosos da educação.  Neste artigo nos proporemos a descrever o desenvolvimento infantil numa perspectiva diferenciada: através da educação bilíngue. Começaremos traçando a trajetória histórica da educação infantil no Brasil, desde a chegada da família real até a emancipação da criança nos dias atuais. Passaremos pelas mudanças geradas pelo processo de globalização, inclusive na educação. Na sequência, abordaremos alguns aspectos da complexidade de um dos processos mais importantes dos seres humanos: a aquisição da linguagem. E, por fim, analisaremos a Proposta Político Pedagógico de uma instituição que oferece o ensino bilíngue para a educação infantil para identificarmos a metodologia utilizada pela instituição para a concretização desse tipo de ensino.
Palavras-chave: Educação Infantil, Bilinguismo, Metodologia.

INTRODUÇÃO
A necessidade de atendimento a educação infantil aparece, historicamente, como reflexo direto das grandes transformações sociais, econômicas e políticas que ocorreram ao longo dos anos. Vale ressaltar que o caráter desse atendimento oferecido às crianças pequenas sofreu várias mudanças ao longo dos anos, desde a guarda e cuidado das crianças, passando à educação compensatória até o ensino de saberes científicos.
No mundo globalizado em que estamos vivendo, as exigências de instruções acadêmicas estão cada dia maiores, pois, o ser humano deve ser preparado desde muito cedo para a complexidade deste mundo informatizado, dinâmico e competitivo. Essa globalização crescente exige das crianças desde muito cedo uma série de habilidades, dentre as quais podemos destacar o domínio de uma língua estrangeira, sendo esta, na grande maioria, o inglês.

sábado, 17 de março de 2012

A Cidade como Elemento Fundamental para a Educação Integral

Dayane Rita da Silveira
Marcelo  Miguel de Araújo

A educação brasileira tem enfrentado uma enorme crise no que diz respeito à tentativa de garantir valores e atitudes educativas. A escola tem realizado um trabalho árduo ao tentar ensinar certos valores que, por outro lado, são ignorados pelo estilo de vida adotado pela sociedade atual, que na maioria das vezes pregam valores contrários. Educar os nossos jovens brasileiros apresenta-se como uma tarefa dura diante das grandes transformações sociais, econômicas e culturais a qual a sociedade tem passado. Diante dessa grande dificuldade que a escola tem enfrentado para educar integralmente os alunos de modo a formar cidadãos conscientes, surgiu então, a necessidade de se pensar em um sistema educativo que garantisse igualdade de condições que, por sua vez, possibilitem e valorizem a aprendizagem. É nesse campo de se pensar em uma proposta de minimizar as desigualdades socioculturais através de redes educativas locais que se dá início o Programa Mais Educação.